Alegoria da passa
Hoje comi uma passa.
Comi uma, duas, muitas mais... e descobri que
não há duas passas iguais!
Comi uma passa, como quem come ouro. Como
quem vê, cheira, escuta e sente REALMENTE a passa.
Comia como se fosse a última, a única,
AQUELA. E vivi a experiência, retirando dela algo MAIOR.
Foi intenso e verdadeiro. Profundo e quase
bonito.
Por isso, posso dizer que hoje comi a MINHA
passa.
Eu podia ser uma daquelas pessoas que nem
gosta de passas e que come apenas as tradicionais das doze badaladas que
anunciam o novo ano que se aproxima.
Por superstição, talvez?
Mas não. Eu gosto, eu ADORO aquele fruto
pequenino e enrugado, que apenas a experiência de quem gosta realmente e come
sem parar, pode permitir aprender que... enfim, muitas passas seguidas fazem
mal!!
Analogias à parte, depois destas passas
nunca mais serei a mesma. Na certeza porém, de que continuo a adorar passas e
que depois deste momento, sei um pouco mais sobre elas e sobre mim também.
Ás vezes, muitas vezes e mesmo na maioria
das vezes, comemos uma refeição, passo a expressão, ’avalando’ os alimentos!!
Quando sem saborear, sem sentir, degustar e
aproveitar, poderemos nós tirar o quê de benéfico de uma refeição?!
Tal como na história de Saint Exupéry:
‘L’important c’est la rose!’ – ou a passa, neste caso! – Sou eu. Somos cada um
de nós.
Alimentar-se não é ingerir alimentos. É degusta-los, deleitar-se na envolvência das texturas, dos ruídos, das sensações
mágicas, que só com atenção real, vamos poder saborear!
Vamos pois à dita receita:
Como saborear plenamente um
momento consigo próprio?
INGREDIENTES:
-
1 lugar confortável para se
sentar
-
algum tempo
-
2 passas de uva
PROCEDIMENTOS:
Sente-se
confortavelmente, pegue numa passa e observe-a:
Veja a sua cor, as nuances e
tonalidades ao sol, em sombra.
É translúcida? Rugosa? Que capa a cobre e que
linhas são estas que a formam?
Feche os olhos e sinta-a:
É mole? Resistente à pressão dos dedos?
Exerça alguma força e sinta-a apertar-se, quase desfazer-se sob os seus dedos... que
textura a envolve?
Aproxime-a de um dos ouvidos e escute que
sons emite, enquanto brinca com ela entre os seus dedos... se é que faz ruídos?!
Por fim, aproxime-a dos seus lábios e
sinta-a. NÃO A COMA DE IMEDIATO! - eu sei que pode ser difícil, mas tente.
Que textura? Que sensações? Que ansiedade?
Coloque-a na boca.
E agora, pela última vez,
sinta finalmente a sua doçura. O amargo da casca resistente que a envolve e como se separa
do seu gomo interior. Uma parte mais doce, mole e outra meio resistente, ácida.
Aos poucos vai-se desfazendo com a saliva e os toques da língua. Que bom, que bom!
Para mim, foi um exercício de quase
tortura!
Welcome to the mindfulness world!!!
Comentários
Enviar um comentário